Review: Supergirl 3×19 – “The Fanatical”

Atenção: a resenha abaixo contém spoilers de “The Fanatical”, exibido no dia 21/05/2018.

supergirl 3x19

Vencemos a batalha contra Reign, mas a luta está longe de acabar em Supergirl. Agora que as Worldkillers foram derrotadas, o culto de Coville volta a ter um papel importante na série.

A garota que vimos roubando o livro sagrado do culto aparece no escritório de James e avisa que o seguidores de Coville estão criando uma bomba. O que a gente não sabe é que, com a falta das Worldkillers, o plano deles é muito maior: querem criar uma nova Worldkiller.

Depois de Kara ter desmitificado um pouco a ideia que tinham dela como Deusa, o culto pareceu escolher Reign como sua nova obsessão. Kara se culpa um pouco por ter desviado a atenção do grupo, ainda mais quando descobrem que a nova líder é Olivia, uma das seguidores de Coville que parecia meiga e inocente.

O mais interessante é que, em meio a essa jornada para neutralizarem a ameaça do culto, a série consegue abranger algumas questões importantes para os personagens.

O foco com certeza foi em James e sua relação recém-criada com Tanya, a ex-integrante do culto que queria ajudar Supergirl. Quando Olivia vai atrás de Tanya pela primeira vez, James vai atrás deles como Guardião e acaba se vendo em uma situação delicada quando a polícia foca em pará-lo ao invés de ir atrás dos verdadeiros bandidos.

A grande questão? James estava sem sua máscara. E, ao mesmo tempo, que isso criou uma cena incrível com Tanya, também criou uma conexão entre eles por causa do preconceito. Assim como todos os assuntos que a série já abordou, foi muito bom ver como o racismo afeta um superherói.

Sob a ameaça de ser desmascarado, James começa a realmente pensar sobre como seu papel de Guardião o possibilitou ser julgado por suas ações sem as pessoas olharem para sua raça. Assim, quando pensa em se adiantar e contar para todos sua identidade, ele se vê a frente de algo além do pacote padrão dos superheróis.

Todos sabemos como os superheróis gostam de manter as identidades secretas para proteger as pessoas que amam, mas James, além de se preocupar com isso, percebe que sua raça pode influenciar bastante em como as pessoas vêem o Guardião. Pessoas que antes o apoiavam podiam simplesmente parar por ser negro.

Não conseguimos ver efetivamente a reação das pessoas quanto à revelação da identidade do Guardião porque James acaba não precisando contar, mas foi interessante ver como é um problema tão real e palpável. James já passou por muitas situações como aquela do policial para saber que não é mera conscidência.

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Uma curiosidade é que a história da infância de James é uma história do próprio ator, Mehcad Brooks. Ele falou no seu Instagram o quanto estava orgulhoso em dividir uma experiência própria e ser porta-voz do problema racial na América, ainda mais quando pensamos que os Estados Unidos teve casos de racismo policial  bem marcantes nos últimos anos. Além de, obviamente, ser um problema que ultrapassa fronteiras.

A maior lição que James tira disso é que, sim, ele sente medo das consequências e de como as pessoas podem vê-lo, mas também sabe que, assim como inspirou Tanya, ele pode inspirar outros negros. Acho que Pantera Negra está aí para apoiar essa ideia, não é mesmo?

De outro lado do episódio, temos Kara enfrentando problemas diferentes, mas também referentes a sua identidade secreta. Sua relação com Lena a preocupa. Ela conversa com Mon-El e James em busca de guia

Foi muito bom ver Kara confrontando James sobre ele ter contado que Supergirl o pediu para invadir o cofre de Lena. Por mais que tenha ficado chateada por James ter contado esse segredo, no final, Kara percebe que Lena descobrir não era o verdadeiro problema. Ela deveria simplesmente ter confiado mais na amiga.

Kara tenta conversar com Lena e pedir desculpas por tudo, mas Lena faz questão de manter tudo da maneira mais profissional. Ela não confia cem por cento em Supergirl, mas sabe também que não precisam ser amigas.

Isso faz muito sentido quando se pensa em Supergirl como alguém que ajuda (e recebe ajuda) de vez em quando, mas Kara não consegue lidar muito bem com a desconfiança da amiga. Afinal, por mais que Lena não saiba, elas são amigas e Kara não quer que Lena tenha esses sentimentos ressentidos por ela.

Kara precisa lidar com isso. Se realmente não quiser contar a verdade, ela precisa saber separar seus sentimentos e, sim, ter relações diferentes com Lena – mesmo que uma delas não seja só flores. Ela percebe, ao convencer Olivia de não virar uma nova Worldkiller, que está perdida quanto sua identidade assim como a vilã da vez e precisa lidar com isso.

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Uma coisa que me incomodou, no entanto, é que outras pessoas apoiam o fato de Kara não contar a verdade para Lena, falando que sua situação é diferente de James e etc. Sim, se Kara contar sua identidade para o mundo, não seria legal e colocaria pessoas em risco, mas não vejo esse problema se ela contar para Lena.

Lena já está em perigo basicamente quase todo episódio porque está ligada com a Supergirl, sua mãe, sua empresa e o que mais quiser colocar na lista. Saber a identidade de Supergirl não a deixaria ainda mais em perigo. Acho que o argumento verdadeiro para não contar é como Lena verá Kara de uma maneira diferente depois que descobrir.

Não sei se concordo quando Mon-El diz que Kara contar para Lena seria algo ruim para a amiga e a coisa mais honrosa seria Kara segurar esse fardo pela amiga. Talvez, mas todos sabemos que uma hora essas coisas são reveladas e dá problema do mesmo jeito lá na frente.

No final das contas, Kara está sendo egoísta do mesmo jeito ao não contar, porque ela sabe que a desconfiança que Lena sente vai afetar profundamente a amizade delas.

Esse episódio nos fez compreender que Kara também teve a reação que teve quanto à Lena exatamente por não diferenciar seus dois papéis. Ela viu sua melhor amiga produzir algo superletal e levou para o lado pessoal. Isso me faz pensar que Kara está com o mesmo problema que Lena no episódio retrasado.

Lena tinha kryptonita e teve dificuldades em se defender do que parecia uma ameaça para a realidade; enquanto Kara, quando se revelar ser Supergirl, vai ter dificuldade em se explicar para Lena e diferenciar o que é do que parece ser. Afinal, a amizade delas será a primeira coisa a ser questionada.

Kara sabe que está com uma bomba prestes a explodir no colo e, por mais que eu não quisesse, esse episódio confirmou ainda mais minhas teorias. Lena diz com todas as palavras que suas amigas nunca fariam o tipo de coisa que Supergirl fez porque entendem seus problemas em confiar nas pessoas. Ou seja, Kara sabia e fez mesmo assim. A teoria? Lena vai descobrir em breve toda a verdade e as coisas não vão sair bem.

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Enquanto isso tudo acontece, Alex tenta se conectar com Ruby. Depois de descobrir que sua mãe é Reign, Ruby não sabe muito bem como lidar com isso e está meio deprimida.

Foi bem fofo ver como Alex se esforça para ajudar a garota. Mesmo tendo sofrido a perda de seu pai na adolescência, Alex não sabe como lidar com a situação. Até porque, além de cada um ter uma forma de lidar diferente, descobrir que sua mãe é uma Worldkiller e tentou te matar não é exatamente uma situação padrão.

Alex tenta distrair a menina de todas as formas, mas o que consegue fazer Ruby começar a interagir mais é ninguém menos, ninguém mais que M’yrnn. Ele, que também está com muitas dificuldades em lidar com sua doença, acaba se conectando com a garota.

Gostei bastante de ver como os dois acabaram se conectando dessa forma. Acho que o que precisavam era encontrar outra pessoa que estivesse sofrendo uma situação peculiar também para se entenderem melhor. J’onn e Alex tinham pensado que ir no fliperama iria ajudá-los quando, na verdade, eles precisam simplesmente se conhecer.

Dessa forma, M’yrnn acaba se animando um pouco e Ruby se abre com Alex, falando que um de seus medos é que vire uma Worldkiller que nem a mãe. Acho pouco provável, mas a verdade é que ninguém sabe o papel da genética nisso tudo. De qualquer forma, Alex promete o que pode: que vai ajudá-la, não importa o que acontecer.

A notícia boa no meio disso tudo é que agora que sabemos os ingredientes para fazer uma Worldkiller reverter o processo e curar Sam é um possibilidade real. Tudo que precisam é uma rocha, e Mon-El e Kara ficam encarregados de procurá-la no espaço.

O melhor

– Enredo de James e a questão racial.

– Alex tentando ajudar Ruby.

– M’yrnn e Ruby ficando amigos!

O pior

– Kara recebendo uns conselhos meio ruins.

– Acho bom, pelo menos, ser a Kara quem vai contar a verdade para a Lena!

Nota 8,5

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