Reprise: The Office (US)

the office us

 

 

 



The Office é uma série de comédia em formato de pseudodocumentário. Sendo uma adaptação da série britânica The Office da BBC, seus episódios retratam o cotidiano dos funcionários de um escritório em Scranton, Pensilvânia, filial da empresa fictícia Dunder Mifflin Paper Company.  Curiosidade: Para simular o visual de um documentário verdadeiro, a série é filmada com uma única câmera, sem a presença de características comuns a uma sitcom como platéia no estúdio ou risadas de fundo.

Admito que no começo me assustei com o Michael (Steve Carrell). Ele é um personagem sexista, racista e por ai vai. Por que eu continuei assistindo, você pergunta? Bom, eu diria que os gifs da série eram engraçados e tudo parecia melhorar conforme as temporadas passavam e eu resolvi dar uma nova chance à serie.

O Michael é um personagem complicado e devo dizer que ele tem um  foco grande, afinal ele é o chefe de todos no escritório da Dundler Mifflin e, como muitos dizem, o coração da série. Claro, ele era irritante, mas eu sabia que isso tudo era uma forma de sarcasmo para falar sobre as realidades da sociedade – pelo menos é assim que eu vejo. Todos nós conhecemos um Michael, uma pessoa desinformada, que por mais que tente sair de certos preconceitos da sociedade, não consegue. Com o passar do tempo, no entanto, não tem como não gostar dele. Vemos que por trás daquela camada de piadas, há uma pessoa sensível, que só quer ter amigos e sair da solidão. Todos no escritório vão percebendo isso, e acredito que a Pam seja a primeira.

Pam (Jenna Fischer), a secretária que forma o par romântico mais perfeito de todos (desculpa, tenho que ser fangirl nesse momento). Fica claro que ela e o Jim (John Krasinski) são o casal principal da série. Sempre naquele vai e vem, mas que o fundo você sabe que eles são feitos um para o outro. Tudo que eu conseguia pensar era que não aguentaria esperar para ver os dois juntos só no último episódio da série. Pequeno spoiler, fiquem tranquilos, tudo se resolve na terceira temporada. Admito que fico com medo quando casais tão queridos ficam juntos. Não me entendam mal, eu amo, mas existe a possibilidade deles esfriarem um pouco. Com Pam e Jim, por mais que tivessem esses momentos, os escritores sempre sabiam nos trazer de volta a fofice como ninguém.

jim and pam

Quanto ao Jim, ele é o cara perfeito. Dá os melhores presentes, sempre bem pensados e relacionados à piadas internas. Parece ser um dos únicos que percebe o quão loucas são certas ideias ou pronunciamentos do Michael. Ele pode ter demorado para falar dos seus sentimentos para Pam, mas é um dos que mais se preocupam com todos ali dentro, percebendo machismos e etc. (spoiler) Na última temporada, acredito que os escritores quisessem dar um drama a mais na história e fazem Pam e Jim brigarem mais que o normal. Podia ter tido menos drama, mas entendo que talvez seja para mostrar que todo casal (até os mais perfeitos) podem passar por dificuldades no relacionamento. No final, claro, tudo se resolve e as declarações de amor de um para o outro são fofas, como sempre.

Na série, vemos algumas caras familiares como Mindy Kaling, Rashida Jones (para os fãs de Parks and Rec) e Ed Helms. Fiquei bem surpresa com Helms. Conhecia ele de “Se beber não case”, óbvio, mas seu personagem, Andy, é outro por quem é possível se apaixonar. Imagine um ex-participante de coral na faculdade, que sabe harmonizar a voz como ninguém. Esse é o Andy. O personagem que poderia ser só alguém para incomodar Jim no novo trabalho, se tornou muito mais. (spoiler) Admito, na última temporada, Andy cai no meu conceito, afinal que tipo de pessoa some durante semanas e deixa a namorada sem notícias para ir para as Bahamas ou sei lá onde? Mas a gente tenta entender que todos tem seus momentos de loucura.

Bom, não poderíamos falar de The Office, sem falar do Dwight (Rainn Wilson). Ele trabalha numa fazenda com o primo e sabe qualquer coisa que se possa imaginar sobre animais e natureza. Com certeza é apaixonado pela empresa e tudo que ele quer na vida é ser assistente do diretor regional, e diretor um dia. Dwight é quase um nerd e é ótimo ouvi-lo falar de Beatles, Harry Potter, videogames, Battlestar Galactica e etc. Assim como Michael, que de vez em em quando tem suas citações.

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créditos

A relação dele com o Jim (e a Pam) evolui de uma forma maravilhosa. Como sempre dizem, quando duas crianças brigam, elas na verdade se gostam. Jim sempre implica com Dwight, durante a série inteira, mas aos poucos vamos percebendo que os dois estão trabalhando juntos há muito tempo e conhecem bastante um do outro. Eles tem até táticas de venda juntos… Percebemos então certas ações do Dwight que mostram que, apesar de ganhar certa discussão, ele começa a ser flexível ou até ajuda Jim, sem admitir, claro. Quando você vê, no final, percebemos que Jim adora as estranhezas (se posso chamar assim) do Dwight e passa a fazer good pranks (pegadinhas do bem). Jim tentando se enganar, enquanto faz coisas boas pelo amigo… ai ai…

Achei brilhante a continuidade no seriado. Todas as piadas sempre indo e voltando, vivas e muitas vezes recontadas como se não soubéssemos. Muitos personagens vão e vem, e tinham certas coisas que você ficava feliz por relembrar, quase como se você estivesse lá. Eu sei, você pode perguntar, não deveria ser assim? Não é essa a responsabilidade? Mas acredito que muitas séries se percam um pouco nisso, e claro, ninguém é perfeito.

Os outros personagens são ótimos. Kevin com amor por comida; Meredith com seu jeito independente, sem se importar com que os outros pensam; Stanley com seu jeito mal humorado; Phillys com o seu jeito confiante; Kelly com suas dicas de moda; Ryan com suas ideias inovadoras; Creed com seu currículo suspeito; Toby com sua rivalidade com o Michael; Oscar com sua autoafirmação e genialidade; Angela com suas manias; Erin com sua ingenuidade fofa; e Darryl com seu jeito irônico. Temos também personagens que não aparecem muito, mas fazem grande diferença. Por exemplo, a Holly. Ela se torna rapidamente um par romântico para o Michael e devo dizer que os dois são outro casal fofo. Ela ri das piadas dele e os dois parecem se entender como ninguém nunca entenderia.

kevin
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“Mini-cupcakes? Como em mini versões dos cupcakes normais, que já são mini versões de bolo? Honestamente, quando isso acaba com vocês pessoal?”

Sem Carrell nas últimas duas temporadas, a série perdeu um personagem muito importante, mas devo dizer que a nona temporada teve suas sacadas brilhantes. O fato de finalmente falarem do documentário que vemos durante todas essas temporadas é perfeito. Adoro esses choques entre realidade e ficção: ver os personagens interagindo com os câmeras (quer dizer, Pam e o cara do microfone), eles descobrindo o quanto filmaram das suas vidas às escondidas, a influências disso na história, além de termos promos do documentário e até conferências com os personagens.

Li algumas coisas sobre a série e devo dizer que concordo que certos assuntos deixaram a desejar no final. Por exemplo, o abandono da carreira de Pam. Na verdade, achei que seria pior, porque parece que ela continua trabalhar com murais, apesar de não seguir seu sonho de ser designer. Mas mesmo assim, às vezes parece que a personagem foi reduzida à ter filhos. Claro que há muito mais do que isso… O segundo filho foi para acompanhar a gravidez da atriz, e Pam, sendo uma personagem forte, persiste em seus desenhos e criações mesmo assim.

Muitos reclamam dos finales de grandes séries e devo dizer que essa foi uma das exceções (para mim, pelo menos). Tem um casamento e encontramos todos os personagens, até os que tinham sumido. Kelly e Ryan com sua história de amor… E sim, Michael também aparece, e nem tanto como queríamos, mas devo dizer que a última fala é a cara dele. Foi algo como: “Isso é o que todo pai quer. Ver seus filhos juntos e casados uns com os outros.

Reprise: Smash

Smash pode não ser considerada um clássico, mas vale a pena ser reprisada. São duas temporadas de muita música, dança e produções espetaculares estilo Broadway.

A série trata da história de Karen Cartwright (Katharine McPhee) e todas as dificuldades de ascensão no mundo da Broadway. A primeira temporada foca na criação de um musical sobre a Marilyn Monroe, sua fase de testes e a luta pelo papel de Marylin entre Karen e Ivy Lynn (Megan Hilty), uma experiente atriz de musicais, apesar de nunca ter sido protagonista de nenhum. Vemos muitas intrigas e drama, mas também absorvemos todas as dificuldades por trás das cortinas de um teatro. O elenco conta com Debra Messing, Anjelica Huston, entre outros. Seus personagens são do mundo mais técnico e pouco visto dos espetáculos: diretores, roteiristas, compositores e produtores. Uma dupla de composição em seu auge, um diretor galã e problemático, uma produtora que quer provar sua competência após separação, além de duas belas atrizes tentando chegar à fama: esse é o principio do show.

Já a segunda temporada foca na finalização do musical e a criação de outro: Hit List, mais moderno e experimental, e que talvez não se encaixe no mundo da Broadway. Nossos personagens são introduzidos e através deles podemos ver como alguém pode começar no mundo dos musicais como escritor e compositor. Além do elenco, tivemos participações da Jennifer Hudson e Uma Thurman, o que foi bem legal de assistir. O último episódio nos fez acreditar que iriamos explorar mais um caminho ao sucesso: filmes de Hollywood. Particularmente, eu soube que seria uma series finale depois de ter visto o final, mas o que eu vi foi um episódio bem finalizado, dentro do possível, em que todos os personagens tiveram suas histórias com um caminho à seguir. As carreiras de cada personagens deram reviravoltas e todos cresceram de alguma forma. Queria muito ter visto onde eles chegariam e como a série lidaria com o mundo dos filmes.

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A audiência eram baixas e Smash acabou sendo cancelada, o que eu acredito que pode ter sido por causa do enredo em si. Alguns achavam que história tinha certo drama exagerado, voltando sempre para a briga entre Karen e Ivy, e até mesmo um certo acontecimento foi dramático demais na segunda temporada (deixei vocês curiosos?). Apesar disso tudo, Smash era muito bem produzida e tinha grandes qualidades. A série me ensinou bastante sobre o mundo dos musicais, e bom, era sempre legal ver toda aquela magia acontecendo.

A produção do show, feita por Spielberg, era incrível: todo os figurinos, palcos e cenários mostravam a preocupação de fazer um bom show, e era como se toda semana pudéssemos ver um espetáculo da Broadway em casa. As músicas eram em sua maioria originais, feitas especialmente para os musicais, e sensacionais, além de terem releituras muito boas. São mostrados alguns processos de composição também o que é bem interessante, por mais que seja ficção, como quando Tom e Julia criam o final do musical de Marylin. “Don’t Forget Me“, para mim, pelo menos, é uma das melhores músicas da série. Captou a história de Monroe e toda sua trajetória de uma forma tão significativa…

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As vozes de Katharine e Megan nos prendem a atenção, além de todo o elenco ter um talento “escondido” para a música. Tudo isso fazia a série me impressionar sempre e gostaria de ter visto mais do que ela poderia ter rendido. Ai, o que mais posso falar se não vão assistir logo! Aproveitem as séries em hiatus e o tempo livre haha.

Reprise: Freaks and Geeks

Suas séries estão em hiatus? Eu sei, eu sei. Uma ótima sugestão é pegar um tempo para assistir aos clássicos. A isso é dedicada nossa coluna Reprise. A primeira série que eu vou indicar aqui é Freaks and Geeks (por questões de coração).

Judd Apatow já declarou que tudo o que ele fez foi para se vingar das pessoas que cancelaram Freaks and Geeks. A série, da qual ele era produtor executivo, foi ao ar entre 1999 e 2000 na NBC, e acabou depois de apenas 12 episódios (após os quais foram exibidos mais 6). Desde então, o programa ganhou um cult following e entrou para o cânone da história da televisão como uma das melhores séries já feitas.

Como o programa conseguiu ser tão bom em tão pouco tempo, e por que então foi logo cancelado, você me pergunta? Talvez a resposta seja a mesma. Freaks and Geeks era uma série engraçada, mas genuína de coração, sem medo de trazer um pouquinho de tristeza e de dar aquele “soco no estômago” nos espectadores ao abordar assuntos tabu pros adolescentes. Por isso a audiência era baixa, em um tempo em que as pessoas só queriam se sentir bem assistindo a Friends (que eu também adoro, mas que é completamente diferente) e a reality shows.

Acho que, no final, Judd conseguiu sua “vingança”. Ele voltaria a trabalhar com o elenco e a equipe de produção de Freaks várias vezes, em filmes de sucesso como Missão Madrinha de Casamento, O Virgem de 40 Anos, Ligeiramente Grávidos, Superbad e outras coisas mil. Respect. Você provavelmente vai reconhecer alguns desses rostinhos aí embaixo.

Como eles estão hoje (2013): Na frente: Jason Schwartzman, Natasha Melnick, John Francis Daley, Jason Segel, Linda Cardellini, James Franco, Busy Philipps, Sarah Hagan, Stephen Lea Sheppard, and Samaire Armstrong. Atrás: Lizzy Caplan, Becky Ann Baker, Joe Flaherty, David Krumholtz, Samm Levine, Martin Starr, Seth Rogen, Dave “Gruber” Allen, and Thomas F. Wilson. Crédito.

 

Sobre o que era

Freaks.
 
Lá em 1980, Lindsay Weir era uma “matleta” e filha perfeita, até que a morte de sua avó faz com que ela comece a frequentar os círculos dos “freaks” de sua escola, a McKinley High. O grupo incluía Nick Andopolis, um maconheiro cujo sonho é ser baterista; Ken Miller, um cara irônico que não ligava pra nada; e o casal Kim Kelly e Daniel Desario, dois marginais que viviam indo e voltando em seu relacionamento. Vivendo novas experiências com o grupo de amigos, Lindsay se depara com várias escolhas que devem definir quem ela é.
A série também acompanha o irmão mais novo de Lindsay, Sam, que traz o “geeks” ao título. Junto com seus amigos inseparáveis e igualmente nerds Neal Schweiber e Bill Haverchuck, Sam arranca várias risadas com sua carinha de loser. Ele também tem que enfrentar alguns momentos definidores tendo que fugir dos bullies e lidar com as garotas.
O que é mais genial de Freaks and Geeks é que ela não lida de maneira condenatória ou convencional com os assuntos mais batidos quando se pensa em adolescentes: sexo, álcool e drogas. Ao mesmo tempo, os adultos, incluindo os professores e os pais de Lindsay e Sam, nem sempre são o inimigo a se enfrentar, e nem sempre estão certos. É a inconstância dessa época da vida, traduzida na própria protagonista, que vai de um lado pro outro sem saber direito o que está fazendo.

Quem participou

Além do já mencionado Judd Apatow, Freaks and Geeks reuniu a maioria das pessoas que integrariam o que se convencionou chamar de “Apatow Gang” ou uma nova era do “Frat Pack”. O nome é simplesmente para indicar uma turma de pessoas que já adoram trabalhar juntas em várias comédias de sucesso.
A lista inclui:
– Paul Feig: o criador e roteirista da série, depois dirigiu Missão Madrinhas de Casamento.
– James Franco: o bad boy Daniel Desario, que depois foi indicado ao Oscar por 127 horas.
Jason Segel: mais conhecido como Marshmallow Marshall Erickssen de How I Met Your Mother, vivia o fofo Nick Andopolis.
– Seth Rogen: era o sarcástico Ken. Você conhece ele por Superbad e Ligeiramente Grávidos.
– Busy Philips: a esquentada Kim Kelly, depois foi fazer Cougar Town.
– Linda Cardellini: a protagonista Lindsay. Recentemente fez a irmã da Jess em New Girl.
John Francis Daley: o nerd Sam, que vingou na série Bones.
– Samm Levine: o às vezes ventriloquista Neal, que também fez Bastardos Inglórios.
– Martin Starr: o nerd supremo Bill e meu personagem favorito.
– Lizzy Caplan: a namorada de Nick. Depois ela fez a Janis de Meninas Malvadas e atualmente está em Masters of Sex.
 
E a lista continua infinitamente, só com gente boa. O legal é descobrir assistindo. Uma hora você vai dizer “ei, mas esse não é o…?” Sim, é essa pessoa mesmo. Pequenininha <3

Episódios essenciais

São poucos episódios, e você deveria assistir a todos. Mas se eu tivesse que escolher um top 3…
1.05 – Tests and Breasts
 
Daniel mete os irmãos Weir em situações embaraçosas. Lindsay tem que ajudar o bad boy a colar em uma prova de matemática e Sam recebe de presente um filme pornô de Desario.
1.16 – Smooching and Mooching
 
Sam, Neal e Bill vão a uma make-out party e tem que lidar com a perspectiva dos primeiros beijos. Nick vira o melhor amigo dos Weir-pais quando se hospeda na casa da família, para desconforto de Lindsay.
1.18 – Discos and Dragons
 
O fim. Termina de forma inconclusiva, mas muito digna. Tem Dungeons & Dragons, tem Carlos o Anão, tem Nick dançando disco music, tem cenas lindas ao som de Grateful Dead. Não falo mais pra não chorar.

Mais Freaks and Geeks

Já terminou de assistir todos os episódios de uma vez, como eu fiz? Dá pra continuar a obsessão em:

Undeclared: série criada por Judd Apatow que seguiu Freaks and Geeks. Continha muitos dos atores de sua série mãe, dessa vez como calouros em uma universidade. Também só durou uma temporada.

– Nos filmes produzidos por Apatow: Tem uns muito ruinzinhos, mas muitos viraram clássicos da comédia. Alguns dos mais recentes que eu recomendo são: Bem Vindo aos 40 e Cinco Anos de Noivado.

Em Girls: Lena Dunham é uma das protegidas de Judd e também faz uma ótima comédia, com freaks um pouquinho mais velhos.

– Nesses textos: Leitura saudosista: aqui e aqui.

Na trilha sonora: É uma das melhores trilhas sonoras ever. Nomes como The Who, Rush e Grateful Dead estão presentes e são super importantes pra trama. Ah, e a abertura era ao som de “Bad Reputation”, da Joan Jett.

 

Reprise + Dica da Semana: Veronica Mars

Hoje damos início à mais nova coluna do site, “Reprise”, onde iremos comentar sobre séries antigas, que já foram canceladas, mas nem por isso deixam de ser relevantes!
Excepcionalmente, dessa vez o post será junto com a coluna semanal de dicas, aproveitando para indicar filme de Veronica Mars, lançado ontem, dia 14/03.
vm

Originalmente transmitida de 2004 a 2007 pelo canal UPN (e, depois, pela CW), Veronica Mars conquistou milhões de fãs. Tanto que, seis anos após seu fim, arrecadou mais de 5 milhões de dólares em uma campanha kickstarter, sendo uma das de mais sucesso até agora.
Um ano antes do início da primeira temporada, Lilly Kane, melhor amiga de Veronica Mars, é assassinada. Keith Mars, na época o xerife da cidade, é encarregado de investigar o crime e acusa o pai de Lilly, um homem poderoso e influente na cidade. Isso não só faz com que ele perca o emprego, fazendo-o começar a trabalhar como detetive particular, mas faz com que Veronica perca seus amigos e o certo status que tinha no colégio.
Agora, Veronica é socialmente excluída no colégio, ignorada por seu ex-namorado e irmão de Lilly, Duncan, ela ainda tem que conviver com as implicâncias de vários de seus amigos, principalmente Logan, que costumava ser o namorado de Lilly. Para passar o tempo, Veronica ajuda o pai nas investigações.
A primeira temporada lida com Veronica sofrendo as consequências do assassinato de Lilly, enquanto ainda tenta desvendá-lo. Por mais que um assassino já tenha sido condenado, algumas coisas ainda não parecem estar no lugar certo. VM muitas vezes adquire o sistema de “crime da semana”, apesar de, ao contrário de dramas policiais, os casos raramente envolverem homicídios e serem algo relacionado à escola. Entretanto, costuma ter um tema maior que se estende por toda a temporada, seja o assassinato de Lilly, um acidente de ônibus ou uma série de estupros por volta da universidade.
veronica mars
Além, é claro, de ter algum certo “drama adolescente”. Acompanhamos, ao pouco, a formação de amizade entre Veronica e outros alunos, e o desenvolvimento de seu relacionamento com Logan e Duncan. E, acima de tudo, temos uma relação entre Veronica e o pai, é comum que séries com o personagem principal adolescente simplesmente ignorem os pais, isso não é o que acontece aqui. Keith e Veronica têm uma ótima relação, que é desenvolvida ao longo das temporadas e tem um estilo único.
Veronica é uma personagem fascinante, ótima com investigações, ela é curiosa, manipulativa e vingativa. Ao longo das três temporadas, vemos seus melhores lados, mas também o seu mais sombrio.
A série não é perfeita e eu consigo entender porque ela foi cancelada na terceira temporada, a mudança para o contexto universitário não deu muito certo, principalmente se combinado com a escolha de enredo. Diversas vezes, a série aborda o tema estupro de forma horrível, não só na última temporada, quando tem um arco inteiro girando em torno disso, mas na primeira temporada, quando Veronica é drogada e estuprada em uma festa, meses antes do início da série.
Ainda assim, é uma ótima série, com episódios envolventes, mistérios, em sua maior parte, bem-desenvolvidos, e personagens tridimensionais. Meu único arrependimento é ter demorado tanto tempo para começar a assistir.
veronica mars
O filme de Veronica Mars foi financiado pelos fãs, mas não precisa ser um para assisti-lo.
Ele se passa nove anos após os eventos da última temporada, Veronica está prestes a se formar em Direito e a aceitar um emprego como advogada em Nova York, onde mora com o namorado, Piz, quem namorou brevemente na terceira temporada e reatara há algum tempo.
Quando seu ex-namorado, Logan, é acusado de ter assassinado a namorada, com quem estudou no colégio, ele pede a ajuda de Veronica e, assim, ela se vê de volta a Neptune, bem a tempo da comemoração de dez anos de formados.
Inicialmente, Veronica só iria ajudar Logan a encontrar um bom advogado, mas fica claro mesmo para quem não assistia a série que ela ia acabar se envolvendo e tentando descobrir quem é o verdadeiro assassino.
O filme conta com a aparição de vários dos antigos personagens da série, dos mais aos menos importantes, e é refrescante ver todos de volta a tela. A vida dos personagens não continua estática todos agora são adultos, com empregos que fazem sentido com a personalidade deles. Logan trabalha nas forças aéreas, Veronica é quase uma advogada, Wallace é professor na Neptune High, Weevil está casado e tem uma filha pequena.
veronica x logan
Para aqueles que não assistiram a série, talvez o filme não seja o melhor do mundo – ele foi feito com uma verba relativamente pequena, afinal – mas dá para entender tudo muito bem. A investigação é, como sempre, bastante interessante e até mesmo surpreendente em alguns pontos. Talvez alguma referência ou outra passe despercebida ou não dê para entender sua relevância, mas são fatos que podem ser deixados de lado.
Já os fãs da série vão amar o filme, tudo o que tinha de melhor foi preservado e o final foi bastante satisfatório, principalmente depois do triste series finale que tivemos.
Para quem não sabe, vai ter uma série de livros que continuará de onde o filme parou, e acredito que algumas menções no filme, que não serviram para nada nele, podem ter sido uma prévia do que acontecerá no livro, que lançará dia 25 desse mês.
Infelizmente, o filme não passará nos cinemas brasileiros, mas já dá para alugar ou comprá-lo digitalmente pelo Apple Store, Google Play e Amazon.