Dica da Semana: “Ghost Stories”

 
Nome: Ghost Stories

Banda: Coldplay

Gravadora: Parlophone
Lançamento: 19 de Maio de 2014 (UK/EUA)
20 de Maio de 2014 (BR)
No Itunes Music Festival, o Chris Martin disse algo como: “I know that you come to see your favorite band play, but sometimes your favorite band needs to come to see you sing along.” (“Eu sei que vocês vêm para ver sua banda favorita tocar, mas às vezes sua banda favorita precisa vir para ver vocês contarem junto”). É, o garotos do Coldplay estão de volta e parecem que sentiram falta. Já ouvi o cd algumas incansáveis vezes, e por isso queria recomendar que todos ouçam essas lindas músicas.
 
Bom, preciso começar falando que sou uma coldplayer e sou suspeita para falar, mas a verdade é que tenho certeza que muitos gostarão do álbum (como muitos já gostam), afinal a banda conquistou o disco de ouro com menos de 48h após o lançamento de GS. Os três anos que a banda ficou parada e sem shows nos deixou impacientes e com sede por música nova. De repente chegou Atlas, produzida para o filme Em Chamas, e já percebemos para onde a banda estava indo. Os instrumentos e o ar melancólico nos deram uma prova de como poderia ser o próximo álbum. Mas é impossível falar desse novo álbum, sem falar da nova era da banda – sentimentos, os conceitos por trás e tudo ao redor do cd nesse momento.
Aos poucos as músicas do álbum foram sendo apresentadas para nós: Midnight, Magic, Always in my Head*, Anothers Arms* e A Sky Full Of Stars… Tivemos um “filme” mudo em preto e branco como o primeiro videoclipe, antes do CD ser lançado, e até um especial da NBC (transmitido pela Multishow no Brasil) com o show completo deles.   *apresentadas no iTunes Festival

“The idea of Ghost Stories for me was how do you let the things that happened to you in the past, your ghosts, how do you let them affect your present and your future.” – Chris Martin
(“A ideia de Ghost Stories para mim é sobre como você deixa as coisas que aconteceram com você no passado, seus fantasmas, afetarem seu presente e seu futuro.”)
Ghost Stories, como Chris disse em uma entrevista, é sobre os fantasmas do nosso passado, que muitas vezes nos atormentam. De certa forma, temos que passar por isso tudo para crescer. O álbum é sobre como você deixou as coisas afetarem você no passado, e como elas afetam seu presente e futuro.
A capa – duas metades de um coração, formado por duas asas -, segundo o Chris, representa o conceito do GS de transformar algo ruim em algo positivo e “para cima”. O vocalista disse o quanto ele, Guy, Will e Jonny tem se tornado mais e mais próximos e que esse álbum reflete isso, além de o quanto cada pequena contribuição tornou tudo mais sólido. Chris mencionou que sempre é quem traz a primeira ideia e tem a primeira inspiração para uma música, e a partir daí eles vão formulando tudo juntos. Dessa vez, no entanto, foi diferente e Guy foi quem trouxe o começo de Magic para o grupo. Na hora sabiam que essa seria uma das músicas principais de Ghost Stories.
 “O sexto álbum do Coldplay é uma introspectiva e agridoce meditação sobre amor e perda que soa tão espectral quanto o seu nome sugere”. Isso é o que o editor da iTunes americana disse, e devo dizer que concordo. A banda foi nos surpreendendo e através da sutilidade nas melodias e harmonias, podemos sentir uma proximidade com eles. Como Zane Lowe disse na entrevista com Chris, era como se quiséssemos abraçar todos eles depois de ouvir a música. Oceans é esse tipo de música, ou melhor, o álbum todo é assim. ‘O’ foi uma das músicas que mais mexeu comigo nesse álbum, só de ouvir fico emotiva e o final me faz ficar toda arrepiada, ainda mais sabendo que os filhos do Chris participaram.

Ghost Stories tem uma união entre as faixas muito boa. Desde que eu li um artigo falando sobre isso no Mylo Xyloto, percebi que o os dois cds tem essa caraterística. O objetivo da banda é os fãs ouviçam o cd como um todo, como uma única peça e acredito que é isso que temos aqui. GS parece emendar uma música com a outra, cada uma se complementando, talvez não tão visível quanto MX, que tinha músicas de transição instrumentais, mas do seu jeito. O cd segue uma linha melancólica, mas músicas como A Sky Full of Stars, Ink e True Love levantam um pouco o astral, com um mais tom ‘batucado’, no caso de Ink. Além das nove músicas do cd, ainda tem mais três especiais para a versão deluxe: O (parte 2), Ghost Story e All Your Friends.

O cd com certeza nós traz grandes emoções e, sabendo como o Coldplay é e tendo visto o trailer do álbum, os efeitos nos shows só vão enfatizar tudo que as letras trazem. Imaginem um céu cheio de estrelas ou um harpa de laser iluminando e colorindo o palco ou até o Chris flutuando por ai. As imagens e identidade visual do Ghost Stories foram feitas por uma artista chamada Mila Fürstová, e devo dizer que ficaram incríveis. Cada arte capta a mensagem da música, formando uma grande imagem (asas, no caso da capa) com pequenas imagens super detalhadas sobre o assunto tratado. Os shows serão mais íntimos daqui para frente e o Coldplay parece querer abandonar os estádios, o que combina com a atmosfera do cd novo.
 
Além disso, a banda também brincou com os fãs fazendo uma caça ao tesouro. As letras das músicas escritas à mão pelo Chris foram escondidas dentro de nove envelopes em nove países. Eles foram encontrados dentro de livros ‘ghost stories’ em bibliotecas. E tinha mais: num desses envelopes teria um ‘golden ticket’ em que a pessoa ganhava uma viagem e ingressos de graça para ver o show da banda. Pena que não havia nenhum aqui no Rio.
Curiosidades:
·        Apple Martin, filha do Chris participa como backing vocal das canções Always In My Head e O. Já seu filho, Moses Martin, participa da música O (part 2).
·        O álbum Ghost Stories começou a ser gravado no quarto do Guy, inclusive foi ele que compôs a base da música Magic.
·        Avicii produziu a música A Sky Full Of Stars.
·        Timbaland ajudou com algumas linhas musicais na música ‘True Love’.
·        Ghost Stories e A Rush Of Blood To The Head são os únicos álbuns em que Chris ficou 100% satisfeito no final do processo.
Trailer da entrevista com o Chris Martin à BBC 1 que falei (sem legendas):

Para quem quiser assistir a entrevista, aqui estão os links: Partes 1, 2, 3, 4

Dica da semana: Humans of New York

HONY

 

“Humans of New York”, também conhecido como HONY, é uma página de fotografias no facebook. Você pode encontrá-la aqui.
A premissa da página é bem simples: Brandon, o fotógrafo e dono do site, percorre vários bairros de Nova York, tirando fotos de pessoas comuns que ele encontra na rua. Ele aproveita e faz uma entrevista com essas pessoas, frequentemente colocando alguma citação do que a pessoa disse.
Tá, ok, e o que tem demais nisso?
Apesar de não parecer grande coisa de início, basta ver algumas fotos para mudar de ideia. As fotografias são ótimas por si só, espelhando a diversidade que existe em uma cidade como NY, mas o que realmente faz o diferencial são as histórias que cada pessoa tem a contar. De tiradas engraçadas a relatos emocionais, HONY nos faz pensar em como cada pessoa que nós passamos tem uma história complexa, e nós não fazemos a mínima ideia.
Pelo facebook, ainda podemos acompanhar as respostas às fotos, muitas pessoas comentam contando histórias similares, ou as vezes o próprio fotografado ou conhecidos aparecem, revelando mais informações acerca
Recentemente, Brandon lançou um livro com o mesmo título. “Human Of New York” foi inicialmente rejeitado por várias editoras, que acreditaram que um livro de fotografia local não venderia muito. Eles não poderiam estar mais enganadas! HONY foi um sucesso total.
O livro conta com várias das fotos postadas no facebook, mas também tem algumas inéditas. Ele é do mesmo formato que a página: fotos + citações, só que dessa vez impresso.
humans of new york
“Isso tem tipo mil páginas!” – Pessoas aleatórias opinando sobre o livro.

 

Mais de cinco milhões de pessoas curtem a página do Facebook e a fama não para por aí. Brandon já fez um trabalho para a Vogue e, há pouquíssimo tempo, tirou algumas fotos do baile do MET para a revista. Entrevistando pessoas famosas do mesmo jeito que entrevista todas as outras.
Gostaria de deixar aqui alguns dos meus favoritos, mas infelizmente eu não salvo nem marco nada. Vou então pegar algumas das últimas e mostrar aqui, mas vale a pena conferir o site por si mesmo. E, caso gostem, comprem o livro. Ele é lindo!
“O que você quer ser quando crescer?”
“Uma mãe.”
“E qual é a parte mais difícil em ser mãe?”
“A hora do banho.”
“Meu marido tem um tumor cerebral raro chamado Neuroma Acústico, que precisou de cirurgia. Nós começamos pensando em recuperação. Nós colocamos toda nossa energia em curar  e confiar na medicina ocidental, acreditando que tudo ia ficar bem. Então chegou um ponto que tivemos que aceitar que não ia voltar ao normal. E isso não vai embora. E não é que não estejamos tentando o suficiente. Só é assim.”
 
“Você se lembra do momento mais triste da sua vida?”
“Há alguns anos, meu pai teve que fazer um teste de paternidade para os papéis de cidadania, e nós descobrimos que ele não era meu pai biológico.”
“Como isso mudou o relacionamento de vocês?”
“Não mudou.”
 
 
“Você se lembra do momento mais feliz da sua vida?”
“Quando eu recebi meu diploma da universidade.”
“Você se lembra do momento mais triste da sua vida?”
“Quando eu descobri que eu não conseguiria usá-lo.”
 

 

“Eu tenho muitos defeitos. Eu tenho certeza que não é fácil conviver comigo. Eu não me comunico bem. E tenho certeza que não é legal ver seu homem engatinhando no chão do quarto de hotel. Mas ela me ama.”
 
“Qual é sua coisa preferida sobre seu irmão?”
“Ele é fofo.”
 
“Meus pais eram imigrantes do Vietnã. Eles tinham passado por uma guerra, e não queriam que a filha passasse pelas mesmas dificuldades que eles, então controlaram minha vida tanto quanto possível. Para eles, controle era amor. Mas eu tive que me distanciar disso.”
 
“O que mais te surpreendeu sobre ser pai?”
“O amor.”
“Quando minha filha nasceu, meu avô estava morrendo no mesmo hospital. Me disseram que mostraram uma foto dela pelo celular e ele começou a chorar. Eles iam embrulhá-la e levá-la para ele na manhã seguinte, mas ele morreu naquela tarde.”
 
“Meu pai morava em Newark, então ele me pegava aos fins de semana e eu ia ficar com ele. Mas já que ele e minha mãe não se davam muito bem, ele nunca ia até em casa.  Quando o trem dele chegava, ele me ligava e eu ia até a estação encontrá-lo. Mas em um final de semana ele estava três horas atrasado. Eu tentei ligar para seu celular, mas ele não atendeu, então eu presumi que ele não vinha e saí para ver um filme com meus amigos. Eu acho que o trem dele chegou alguns minutos depois, porque minha mãe disse que ele ligou assim que eu saí. Quando eu finalmente entrei em contato com ele, nós tivemos uma grande briga. Ele ficou irritado porque eu tinha ido ver o filme. Ele disse que eu não ligava para ele ou o amava. Isso foi no sábado. Tarde da noite de domingo, eu levantei para ir no banheiro e encontrei meu padrasto e minha mãe chorando na cozinha. Eles nem conseguiram me dizer que ele foi assassinado. Eles só me disseram que ‘uma coisa aconteceu com alguém em Jersey’. Eu perguntei se tinha sido minha tia. E então minha avó. E minha mãe só ficou negando com a cabeça. Eu passei por uma lista de pessoas antes de chegar ao meu pai. E a cada nome que eu dizia, com mais e mais medo eu ficava, porque eu sabia o que tinha acontecido.”
Ok, me empolguei bastante e poderia passar o dia inteiro colocando as fotos e traduzindo as entrevistas, mas me controlarei.
Já tem algum tempo que “descobri” o HONY e, desde então, todo dia vejo as fotos novas que são adicionadas e não deixo de me surpreender e me emocionar com o que encontro.

Dica da Semana: o livro “Deadly” (Pretty Little Liars)

A dica dessa semana demorou, mas está ai. Mais um livro para animar essa época de season finales. Enjoy!
 
  • Deadly/ Mortais

Título: Deadly (EUA) / Mortais (no Brasil – ainda não lançou)
Autora: Sara Shepard
Editora: HarperTeen/ Rocco
Série: Pretty Little Liars – PLL (14º Livro)

Sinopse: Em Rosewood, vans espreitam por fora em garagens e agentes do FBI estão batendo na porta de toda man~soa – e isso tudo é porque as quatro ‘pretty little liars’ simplesmente não sabem ser boazinhas. Hanna, Spencer, Emily e Aria têm guardados segredos de matar durante o ano todo… coisas que poderiam levá-las à cadeia de A contasse tudo.

Amei! Devo dizer que está entre os meus preferidos da série. As garotas estão bem mais unidas e passam da fase de esconder certas coisas uma das outras. Não só isso, como elas atendem às minhas rezas e finamente se previnem contando certos segredos ou contam sobre a A para outras pessoas, como a Agente Fuji (sim, a responsável pelo caso da Tabitha)! Temos bastantes cenas “fortes” e importantes, com uma das garotas, principalmente, e com A.

A história começa então com a situação do Noel no hospital e com as garotas tentando tirar informações dele. Sem muitas esperanças, elas acabem desistindo de procurar pela A, até que elas são acusadas pelos seus erros no verão, como a Aria ter roubado um quadro ou a Hanna ter fugido do acidente com a Madison. E então, elas vêem uma oportunidade, contar tudo e finalmente tirar o peso das costas… Mas é claro, que com A, não é tão fácil assim.

O que me impressionou foi a situação mais aberta que as garotas decidiram finalmente tomar e um pequeno plot twist poderíamos dizer, que deixa você surpreendida e revoltada ao mesmo tempo. A relação de algumas das famílias das garotas tem certas evoluções, e outras, não. De certa forma, dá uma visão ampla e mostra a interpretação que cada pai e mãe dá aos acontecimentos. Como a Melissa, por exemplo, que começou a apoiar muito mais a Spencer.

Devo dizer que o Mike e o Noel são fofos, e cada vez mais gosto mais deles. O Mike com certeza surpreende, ainda mais se compararmos com os primeiros livros da série. Ele tem ganhado importância e se mostra sempre muito preocupado com a Hanna e a Aria.

Bom, no livro passado descobrimos que a A trabalha com um ajudante, que segundo as garotas eles seriam a Alison e seu namorado. Em Deadly, descobrimos a primeira letra do nome dele (quase como a A), e muito mais que isso, descobrimos bastante no final do livro. Além de vermos o que realmente aconteceu naquela noite do incêndio em Poconos e que o ajudante da Ali estava lá.

[Mini Spoiler] Finalmente temos certeza se a Allison está viva ou não, e descobrimos o namorado que vinhamos especulando como parceiro de crime dela. Devo dizer que fiquei surpresa, porque ele participou da vida de cada uma das garotas de alguma forma, passando até um pouco desapercebido. A falta de provas da sobrevivência da Ali me deixou louca, e estou ansiosa pelo próximo livro. Houve muitas descobertas e algumas conciliações entre personagens.

Resumindo, com certeza recomendo! Não só esse livro, mas todos da série. Tá no 14º livro e sei que tem mais dois, mas não fiquem com preguiça! Só vou avisando para não confiarem quando dizem que vai acabar a série pq eu achei q Deadly, por exemplo, seria o último haha mas não deixa que estar se encaminhando para o final… Apesar de ter muitas A ao longo da série, tudo vai se encaixando, afinal sempre fica um misteriosinho ou as garotas fazem coisas erradas que comprometem elas. Nunca aprendem!

5 estrelas! 

Dica da Semana: O Espetacular Homem-Aranha 2

Bom, pessoal, resolvemos convidar de vez em quando colaboradores para fazerem as dicas com a gente. É sempre bom diversificar, então vamos lá.

o espetacular homem-aranha 2


















Andrew Garfield e Emma Stone encarnam, mais uma vez, Peter Parker (o Homem-Aranha) e Gwen Stacy, respectivamente, no segundo longa do título. Embora ver esses dois na telona do cinema talvez já seja o suficiente para alguns, não é o único motivo pelo qual o filme é a “dica da semana”.

O romance entre Peter Parker e Gwen Stacy continua sendo a âncora da história, trazendo um sopro de humanidade ao longa. O relacionamento deles é, sem sombra de dúvida, um dos pontos altos do filme. Melhor ainda é o pé de igualdade em que os dois se encontram: Peter pode ter os super-poderes, mas Gwen também é importante. Ela o ajuda a aceitar suas responsabilidades e é importante na construção e desenvolvimento do protagonista. Aumentando a carga emocional, aprendemos mais sobre os pais de Peter e o motivo que os levou a abandonar seu filho, assim como o mistério por trás de suas mortes. O acréscimo à história do personagem o torna mais interessante e real.

créditos

Parte essencial ao personagem, o humor está mais uma vez presente no filme de Marc Webb. Com bom timing, rápido e espontâneo, era difícil não rir nos momentos apropriados, quando Peter fazia algum comentário divertido ou dava uma resposta engraçadinha. A graça está tanto nas palavras quanto nas ações do personagem, e torna a experiência muito mais satisfatória.

Em alguns momentos a superprodução fica parecendo um pouco demais: muitos personagens, muitas histórias, muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Estamos, afinal, numa época de superproduções, na qual mais significa melhor. O Homem-Aranha é só mais um filme que entrou nessa nova onda “hollywoodiana”. Thor, o Homem de Ferro, Capitão América e Os Vingadores fazem todos parte desse grupo. A diferença é que em o Homem-Aranha, a superprodução acabou abafando um pouco o conteúdo.

Não é nada, porém, que impeça alguém de ver e apreciar o filme. Quando se está sentado na sala de cinema e você vê a atuação espetacular de Andrew Garfield e Emma Stone, esses pequenos deslizes são quase imperceptíveis. O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, certamente é um filme que vale a pena assistir.
 

Dicas da Semana: site Noise Trade + novo álbum de Damon Albarn

Sábado é dia de dar uma respirada das séries aqui no blog. Aproveite o finzinho do mês para utilizar livremente uma das dicas da semana!

1 – Música + livros: Noise Trade

Esse é um site genial que, em um mix de espírito altruísta e cultura participativa, permite aos usuários ouvir milhões de álbuns de bandas independentes de forma totalmente gratuita e legal. Você pode experimentar livremente músicas que vão do jazz ao hip-hop, ou seguir as recomedações que o site oferece. Dá pra baixar álbuns inteiros ou ouvir sem compromisso na própria página da banda. Mas, diferentemente de outros sites similares, se você gostar da música ou se você for apenas uma pessoa legal, dá pra deixar uma “gorjeta” pros artistas não morrerem de fome. E é tudo no sistema “pague quanto quiser”, de 1 a 100 dólares. E você ainda pode ajudar a promover as bandas pelas redes sociais através do próprio site.

Eles também tem uma sessão de livros, com alguns títulos bem bacanas, para os fluentes em inglês. O Noisetrade está no ar desde 2009, mas ainda não é muito conhecido por aí. Vale a pena dar uma olhada: noisetrade.com.

2 – Só música: o CD solo do Damon Albarn

Damon Albarn é um cara muito vivido. Ele já compôs óperas e um disco de música africana. Ele foi o vocalista do Blur e o co-criador do Gorillaz. Ele tem um dente de ouro. Mas só agora, do alto de seus 46 anos, ele está lançando um álbum sob seu próprio nome: o Everyday Robots, que sai nessa segunda-feira, dia 28.

Pelo o que Damon tem prometido, esse será um disco bem pessoal, englobando as influências musicais pelas quais ele passou nos últimos anos e muitas de suas experiências de vida, como a infância na Inglaterra e a vez em que ele conheceu um bebê elefante na Tanzânia. E pelos singles que ele já liberou, dá pra saber que essa é uma ótima dica. Ouça aqui “Heavy Seas of Love”, que tem a participação de ninguém menos que Brian Eno.

Bônus: Ah, ouve “Everyday Robots” também, vai. Tem um clipe genial.

 

 

Dica da Semana: Divergente (filme e série de livros)

A série me cativou desde o começo. Eu não esperava muito do livro e tinha comprado mais porque não tinha muitas opções. E tenho que falar como fiquei surpresa com o quanto gostei do livro (dos livros, melhor dizendo). Distopias sempre despertaram meu interesse, e Veronica Roth definitivamente soube nos contar sobre os conflitos desse novo mundo. Sempre me surpreendo com a criatividade dos escritores ao criarem um ambiente do zero. Distopias são uma boa forma de avaliar um pouco o mundo em que vivemos, afinal estão cheios de críticas à nossa própria sociedade. Eles podem parecer falar de uma realidade distante, mas estão mais perto do que imaginamos. Os livros da série foram comparados à livros famosos como Maze Runner, de James Dashner, e Jogos Vorazes, de Suzanne Collins.

Autora: Veronica Roth
Editora: Rocco Jovens Leitores
Título original: Divergent, Insurgent e Allegiant

Divergente

Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto. A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é. E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive. 



– Insurgente

As facções estão desmoronando, e Beatrice Prior tem que arcar com as consequências de suas escolhas. Em Insurgente, a jovem Tris tenta salvar aqueles que ama – e a própria vida – enquanto lida com questões como mágoa e perdão, identidade e lealdade, política e amor. 

– Convergente

A sociedade baseada em facções, na qual Tris Prior acreditara um dia, desmoronou – destruída pela violência e por disputas de poder, marcada pela perda e pela traição. Em Convergente, a jovem é posta diante de novos desafios e mais uma vez obrigada a fazer escolhas que exigem coragem, fidelidade, sacrifício e amor. O livro alcançou o primeiro lugar na lista de bestsellers do The New York Times e foi o título mais vendido pela gigante Amazon no segmento infantojuvenil em 2013. 

Os livros da série contam a história de Beatrice Prior, que está na idade de decidir se continuará na facção que viveu a vida toda: Abnegação. Em uma cidade futurista, a sociedade divide-se em cinco facções dedicadas ao cultivo de uma virtude – a Abnegação, a Amizade, a Audácia, a Franqueza e a Erudição. A partir dai, a jovem de 16 anos faz seu teste de aptidão e descobre ser divergente, ou seja, não pode ser classificada como nenhuma facção específica – suas aptidões são mais de uma. Com resultados inconclusos, Beatrice resolve seguir sua vontade e escolhe Audácia, mudando seu nome para Tris. Nossa heroína passa por poucas e boas, afinal a facção exige aprender a lutar e se defender. O primeiro livro foca na iniciação de Tris e seus descobrimentos sobre si mesma.

A primeira parte do treinamento da Tris é física, lutando e atirando, lançando facas e tudo mais. Porém, a segunda metade do treinamento é psicológica, tendo que enfrentar seus piores medos. Vemos que Tris, que já era uma personagem forte, evoluir como pessoa e se tornar uma mulher forte, que enfrenta seus temores e que sabe se defender. Um de seus treinadores é o Quatro e a relação deles é desenvolvida. Ele cobra dela como ninguém e vemos crescer uma amizade e até algo mais. Surge uma força em mudar essa rigidez do sistema de facções e vários segredos são desvendados. Ser divergente é perigoso, e vamos entendendo ao longo da série as consequências em volta do assunto.

“Eu não quero ser somente uma coisa. Eu não consigo ser. Eu quero ser corajoso e quero ser altruísta, inteligente, honesto e gentil.” – Quatro

No segundo livro, vemos que o sistema está se desmoronando, muitas coisas estão acontecendo e o jogo de poder é o centro de muitas discussões. Já no final da série, vemos os personagens já conhecidos em uma situação nova. Eles descobrem mais sobre o passado e tentam entender o porquê da cidade ter optado aquele sistema de facções. O final foi bem surpreendente e devo admitir que chorei muito. Para alguns pode ter sido decepcionante, e não posso negar que esperava um final mais… feliz. A relação entre os personagens, sua evolução e tudo que passaram faz você querer isso. Tris é uma heroína que nos apaixonamos, com sua garra, seus medos e inseguranças também, mas sempre de cabeça erguida e tentando o melhor por ela e pelos outros. Quatro é um líder nato, importa-se com a sinceridade das pessoas e é generoso, apesar de ser rígido. Seus problemas familiares aos poucos vão sendo descobertos e percebemos a fragilidade de Quatro, apesar dele não demostrar muito isso.

É difícil falar do que acontece nos livros, afinal tudo está interligado e depende dos acontecimentos do anterior para ser entendido. A série definitivamente questiona muitas coisas, por exemplo: a ideia de que cada pessoa só tem uma única característica, bom ou mau (maniqueísmo); e a ideia de fazer atrocidades e controlar pessoas por um “bem maior”, entre outros. A escrita é ótima e prende a sua atenção, além dos segredos e mistérios trazerem a ansiedade de conhecer mais aquele universo e conviver mais com a Tris e o Quatro.

– Filme: Divergente


Com tantas adaptações de livros para filmes sendo feitos, Divergente não poderia faltar. O filme estreou dia 17 de Abril (quinta-feira), e eu, fã como sou, precisava ver o filme o mais rápido possível. Acredito que o longa-metragem tenha sido bastante fiel ao livro, apesar da história ter sido acelerada e cenas tenham sido um pouco modificadas. Claro, os livros serão sempre melhores e mais detalhados que os filmes. Nunca terão as tantas pequenas cenas que amamos, mas o filme não decepcionou.

Adorei ver a Veronica Roth fazer uma pequena participação no filme na cena da tirolesa. Os cenários e a fotografia foram realmente bonitos e incríveis. Shailenne Woodley faz o papel de Tris e devo dizer que adorei ver a nossa forte personagem nas telas do cinema, mostrando como se impôr e se reerguer. A atriz conseguiu nos mostrar isso, assim como Theo James mostrou Quatro com sua dureza, mas também seu interior generoso. O filme teve seus momentos engraçados e descontraídos com as verdades ditas por Christina (ex-Franqueza), os comentários sábios de Will (ex-Erudição) e os falas sarcásticas de Quatro.

Já tinha lido sobre uma das cenas do filme, e sem querer dar muitos spoilers para quem não leu o primeiro livro, um dos medos da Tris é o Quatro. No livro, como relembrei lendo uma resenha, o medo dela é em relação à intimidade e ter um relacionamento amoroso. Na cena, que acontece no capítulo 30, Four se aproxima de Tris de um jeito gentil, e ela o afasta de uma maneira descontraída, rindo e dizendo “eu não vou dormir com você em uma alucinação. Está bem?”. No filme, no entanto, a cena faz parecer que Quatro a força e dá a entender que ela se sente ameaçada por ele. O longa não avança tão à fundo no relacionamento deles, infelizmente, mas entendo que são muitos acontecimentos para se cobrir num filme só.

É bom ver todas aquelas cenas imaginadas ali e como pudemos sentir os medos e anseios de Tris através dos olhos de Shailenne. O filme levanta os mesmos questionamentos do livro como a individualidade, enfrentar seus medos e etc. Acredito que o filme explique bem o mundo criado por Veronica Roth para quem não o conhece e dê aos fãs a satisfação de ver os personagens ganharem vida. Entendo que muitos não queiram assistir porque não leram os livros, mas não acho que seja necessário. Aliás, talvez o filme até impulsione pessoas à lerem a trilogia, como aconteceu com uma amiga minha.

Dica da semana: o livro “Todo Dia”

Depois de um breve relapso, estamos de volta com as dicas da semana! Dessa vez, trazendo mais uma dica literária para você se entreter durante o hiatus da sua série preferida.

  • Todo Dia
 Autor: David Levithan
 Título Original: Every day
 Editora: Galera
Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.
Desde o dia que nasceu, A passa cada dia em um corpo diferente. Acorda na vida de outra pessoa e, ao dar meia-noite, passa para o de outra, em geral a poucos quilômetros de distância. Para se adaptar a essa vida elx segue algumas regras básicas, como não interferir demais na vida do dono do corpo e tentar passar despercebidx por aí. Até que um dia acorda no corpo de Justin e se apaixona pela namorada dele, Rhiannon, uma linda menina, que, na opinião de A, não é valorizada o suficiente pelo namorado. Eles passam um dia maravilhoso juntos, mas como já sabia que ia acontecer, no dia seguinte A acorda em outro corpo. Elx tenta deixá-la de lado e voltar a sua vida nem tão normal, mas simplesmente não consegue tirar Rhiannon da cabeça e acaba tentando fazer de tudo para reencontrá-la.
Primeiramente, queria deixar claro porque estou usando “elx” na resenha. Pelo o que entendi do livro, A é um personagem genderqueer (ou talvez agênero, não fica muito claro. Mas sou cis, então posso estar falando besteira aqui, me corrijam se eu estiver errada), elx não fala diretamente com que gênero se identifica em nenhum momento, fala que quando era criança tinha dias que se identificava como menina outro como meninos (= genderqueer), mas não chega a dizer sobre atualidade. Na tradução brasileira, é frequentemente usado pronomes e adjetivos no masculino para se referir a elx, mas tenho quase certeza que no original, em inglês, são usados apenas palavras neutras (o que, infelizmente, não temos em português). Não acho certo identificarmos-x como do gênero masculino, principalmente considerando que A demonstrou desconforto quando Rhiannon estranhava-x quando estava em um corpo de menina.
Eu amei o livro e não tenho certeza dos motivos. Talvez seja simplesmente porque estava em uma maré ruim de livros, mas acho que foi uma combinação de coisas. Para começar, um livro ter um personagem principal que é queer já é suficiente para me fazer amá-lo para sempre, mas além disso “Todo Dia” tem uma história incrível. Eu adorei sua premissa, de acordar todo dia em um corpo diferente e acredito que David tenha lidado muito bem com o assunto. Confesso que algumas coisas deixaram a desejar, especialmente no final, queria que sua “condição” tivesse sido mais explorada e soou, para mim, como um final de livro que vai ter continuação, onde tudo seria ainda mais explicado. Entretanto tenho a ligeira impressão que esse será o único livro.*
Minha parte preferida do livro foi ver a vida das pessoas cujo corpo A habitava. Com um capítulo por pessoa, temos uma rápida visão de pessoas com vidas totalmente diferentes: populares, estudiosos, imigrantes, viciados, deprimidos, homossexuais, transgêneros, filhos únicos, irmãos. Tiveram algumas cenas que achei absolutamente lindas e foi o que realmente me conquistou. É claro que só sabemos sobre um dia da vida dessa pessoa e não é o suficiente para conhecê-la, mas vemos tantas situações diferentes, algumas desagradáveis de se ler, mas outras que me deram vontade de abraçar o livro, que é impossível deixar de nos colocar no lugar das pessoas e, pelo menos foi assim para mim, lembrar como cada pessoa tem uma vida completamente complexa, diferente e independente da nossa. Além disso, ao acompanharmos a situação de A, começamos a valorizar as pequenas coisas que temos, que elx não tem. As vezes que A falou de quando era pequeno e chorava de noite, não querendo dormir, porque não queria ir embora ou sobre os “pais” que ele teve, me deixaram com lágrimas nos olhos.
Honestamente, eu poderia ter lido o livro inteiramente assim, sem o enredo principal. Por falar nele, tenho sentimentos conflituosos sobre Rhiannon. Em geral, sou a primeira pessoa a me apegar às personagens femininas e defendê-las até a morte, mas eu não consegui realmente gostar dela. Não que eu tenha desgostado, e até mesmo consigo entender tudo o que ela fez durante o livro, realmente achei que em alguns momentos A estava a pressionando demais, supondo que a conhecia melhor do que ninguém, quando não era necessariamente verdade. Mas, mesmo assim, algumas coisas sobre Rhiannon me irritaram. Talvez isso tenha sido principalmente pelo fato de ela ter dito algumas coisas que me incomodaram, como quando A estava no corpo de Vic, um garoto trans, e quando A vai explicar o que isso significa, ela simplesmente o corta e diz “nem sei o que isso quer dizer” ou quando ela fica desconfortável quando A diz que uma vez, enquanto estava no corpo de um garoto, elx se apaixonou por outro garoto. Eu sei que são só detalhes, mas são o tipo de coisa que, na vida real, me alertariam para o tipo de pessoa que ela é, e eu preferiria manter distância. Tirando essas coisas, Rhiannon é uma personagem interessante, mas algumas personagens que apareceram por apenas poucas páginas (Zara e Amelia, por exemplo)  conseguiram me conquistar mais do que ela.
A sub-história com Nathan foi interessante e me pegou de surpresa. Eu gostei bastante, mas como disse no início da resenha, esperava que as descobertas de A no final fossem um pouco mais exploradas ao final do livro. Entendo que o objetivo tenha sido ficar meio em aberto mesmo, mas eu queria saber mais.
Concluindo, analisando racionalmente eu não acho que o livro mereça cinco estrelas. Provavelmente merecia umas quatro. Mas vou dar cinco mesmo assim, porque ele despertou emoções bastante fortes em mim, e é isso que espero que um livro faça.  Li tudo em dois dias, o que não é super rápido, já que é um livro curto, mas foi menos tempo do que ando levando esse ano. Ele é escrito de forma maravilhosa, simples, mas mesmo assim envolvente, de forma que não dá para parar de ler até acabar.
* Segundo o Goodreads, vai ter um segundo livro, chamado “Rhiannon”, mas não tem data de publicação nem sinopse, então não sei se trata-se de uma continuação mesmo, o livro na visão dela, ou se seria apenas uma continuação da vida dela sem se interceptar com a de A.
5 estrelas!
 
OBS: Essa resenha foi originalmente escrita para um blog de resenhas literárias do qual eu faço parte, então se vocês a virem por lá, é por isso.

Dicas da Semana: um filme, lugar, música e livro

Sábado é dia de dicas além-telinha aqui no blog! Eu resolvi reunir várias em um post só, porque sou assim essa pessoa boa. Aqui vão elas.

1 – Um filme: 24 Hour Party People no Netflix

Que surpresa boa ver essa sugestão de filme no meu Netflix! (Se ele já estava por lá antes, me perdoe, leitor, mas eu só vi essa semana mesmo)

É um daqueles filmes que você já gosta só de saber da temática. Ele conta a história de Tony Wilson, jornalista e agitador cultural de Manchester, um dos fundadores da Factory Records. A trajetória de bandas como Joy Division, Buzzcocks, New Order e Happy Mondays se mistura com a de Wilson, interpretado pelo comediante Steve Coogan, que frequentemente interrompe a narrativa falando diretamente com o espectador. É um filme bacaninha, com muitas cenas de arquivo e participações especiais. Ele vai desde o início da gravadora, passando pela morte de Ian Curtis, o auge do movimento Madchester, o surgimento da cena rave, e claro, o declínio regado em ecstasy e cocaína.

Aliás, o Tony Wilson morreu em 2005, e aproveito para homenageá-lo aqui, já que ele é está na minha categoria de pessoas-que-só-recentemente-eu-descobri-que-morreram-mas-já-tinham-morrido-há-muito-tempo.

O filme fica bem cansativo lá pro final, mas é uma ótima pedida pra quem é fã das bandas, pra quem quer conhecer mais da Factory ou mesmo pra quem quer ver gente louca fazendo coisas esquisitas. Em tempo: o nome em português é “A Festa Nunca Termina”. É correto, mas não deixa de ser escroto.

Esse é o trailer do filme.

2 – Um livro: “O Romancista Ingênuo e o Sentimental” de Orhan Pamuk

Gente, eu só li UMA XEROX DESSE LIVRO. A desculpa é que eu estou em época de prova, então só posso mesmo ler coisas relacionadas à faculdade. Então sim, talvez eu não seja a melhor pessoa pra indica-lo, mas se eu só li uma parte e me apaixonei, o resto deve ser igualmente massa.

O Orhan é um cara turco que ganhou um prêmio Nobel de Literatura. Aliás,  ele é o único turco a ter recebido essa honraria. Ele escreveu livros como “O Castelo Branco” e “Meu Nome é Vermelho”, todos muito lidos e bem conceituados. Um dos últimos livros que ele escreveu foi “O Museu da Inocência”, que virou um museu de verdade em Istambul, reunindo relatos pessoais de histórias de gente comum.

Dito isso, vimos que o Sr. Pamuk é um cara muito legal, e muito apaixonado pela literatura. Nesse texto específico, isso fica bem claro, no modo como ele descreve seu vício em livros, e em todas as referências que ele faz a outras obras. Ele fala da teoria de Schiller, de um certo poeta ingênuo, aquele que escreve as palavras saídas do coração, e do poeta sentimental, que se preocupa com a estrutura do texto e com as estruturas invisíveis da literatura. Para o Orhan, o master mesmo é aquele que é um pouquinho dos dois.

Claro que ele fala isso de uma forma muito mais completa, e dá pra aprender muito com ele, de uma forma não tão difícil. O livro, aliás, é de uma aula que ele deu em Harvard. Uma ótima dica para quem é apaixonado por escrever e quer se aprofundar mais no assunto.

Esse é o Orhan.

http://i.telegraph.co.uk/multimedia/archive/02392/rahim_main_2392424b.jpg

3 – Uma música: Woody Allen – Allo Darlin’

Essa música eu ouvi num filme que, aliás, eu não recomendo: “Imogene”. Ela não é nova nem nada, mas é muito fofinha e tem uma letra muito esperta. Se você for ouvir o restante das músicas da banda, você pode ficar meio enjoado, porque são todas muito parecidas. Mas essa música, esquecendo toda a polêmica com o cineasta homônimo, é uma delícia que da pra escutar várias vezes seguidas.

Essa é a música.

4 – Um lugar pra ir: O show do Arcade Fire!

Falta menos de uma semana para esse evento de comoção nacional. Faz 9 anos desde que o Arcade Fire não vem ao Brasil, e dessa vez eles vêm pra duas datas, uma no Rio e outra em São Paulo, para o Lollapalooza. Pra quem não conhece, eles são uma banda canadense de 7? Ou talvez mais membros, todos feios porém muito talentosos. Eles já lançaram 4 discos, e um deles ganhou o Grammy de melhor álbum do ano em 2011. Em ordem do coração, eles são: Funeral, Neon Bible, Reflektor e The Suburbs.

Se você quiser me fazer companhia na próxima sexta, dia 4, ainda tem ingressos disponíveis para o show no Citibank Hall. E também ainda tem ingressos pro Lollapalooza!

Esse é o Arcade Fire versão Reflektor.

http://cdn.stereogum.com/files/2013/09/arcade-fire-snl-2013.jpg

Dica da Semana: Final Fantasy X / X-2 HD Remaster

  • Final Fantasy X / X-2 HD Remaster
Produtora: Square Enix
Gênero: RPG
Plataforma: PS3 e PSVITA

Final Fantasy X e sua sequência Final Fantasy X-2 foram jogos que marcaram a infância e a adolescência de muita gente que hoje tem seus vinte e poucos anos. Quando soube que ambos seriam remasterizados em HD fiquei muito animado, afinal os jogos foram lançados, respectivamente, em 2001 e 2003.

Começando pelos jogos originais, ambos são excelentes por diferentes motivos. O primeiro se destaca por sua história excelente. Já o segundo, apesar de ter uma história mais voltada ao público feminino e uma protagonista que de vez em quando sisma de cantar e dançar, tem o sistema de batalha mais divertido de toda a séire.

Com uma matéria prima tão boa não tinha lá muito segredo em remasterizar os gráficos, mas a Square Enix foi além e, além da maior resolução, deu muito mais detalhes aos personagens principais, o que fica visível desde as primeiras cenas do jogo. Final Fantasy X teve sua trilha sonora completamente refeita, com arranjos novos às musicas já conhecidas pelos fãs, é uma pena que X-2 ainda mantém sua trilha original.

Pela primeira vez no ocidente, temos os extras das versões internacionais de ambos os jogos, ambas totalmente traduzidas para o inglês.

Primeiramente temos o epílogo The Eternal Calm, que serve para ligar os dois jogos, contando um pouco do que acontece entre a derrota de Sin e a nova carreira de Sphere Hunter/Cantora de J-Pop da Yuna.

Em X temos os Dark Aeons, versões super fortes das invocações que Yuna encontra durante sua jornada, e um Superboss para enfrentar. Também temos disponível um modo Expert para o Sphere Grid, que permite uma maior customização dos personagens.

Já em X-2 a novidade é um novo minigame, um Roguelike chamado Last Mission. O jogo conta uma história complementar ao jogo e tem seus diálogos totalmente em inglês. Além disso é possível “capturar” Seymour para usá-lo em batalha.

Mas o carro chefe do relançamento é uma espécie de rádio novela, que narra eventos ocorridos após a Last Mission de Final Fantasy X-2. Nunca antes lançada, a pequena história chamada Final Fantasy X Will, é narrada por Chuami, assistente de um aspirante a summoner. Will ainda conta o que aconteceu a diversos personagens e deve causar muitas discussões sobre Spira.

Final Fantasy X / X-2 HD Remaster é mais que uma simples remasterização, além de ser dois jogos pelo preço de um, o pacote vem repleto de extras que devem satisfazer até os mais ávidos fãs da saga de Spira. É uma ótima oportunidade para revisitar esse mundo tão completo e único, além de rever personagens marcantes.

Reprise + Dica da Semana: Veronica Mars

Hoje damos início à mais nova coluna do site, “Reprise”, onde iremos comentar sobre séries antigas, que já foram canceladas, mas nem por isso deixam de ser relevantes!
Excepcionalmente, dessa vez o post será junto com a coluna semanal de dicas, aproveitando para indicar filme de Veronica Mars, lançado ontem, dia 14/03.
vm

Originalmente transmitida de 2004 a 2007 pelo canal UPN (e, depois, pela CW), Veronica Mars conquistou milhões de fãs. Tanto que, seis anos após seu fim, arrecadou mais de 5 milhões de dólares em uma campanha kickstarter, sendo uma das de mais sucesso até agora.
Um ano antes do início da primeira temporada, Lilly Kane, melhor amiga de Veronica Mars, é assassinada. Keith Mars, na época o xerife da cidade, é encarregado de investigar o crime e acusa o pai de Lilly, um homem poderoso e influente na cidade. Isso não só faz com que ele perca o emprego, fazendo-o começar a trabalhar como detetive particular, mas faz com que Veronica perca seus amigos e o certo status que tinha no colégio.
Agora, Veronica é socialmente excluída no colégio, ignorada por seu ex-namorado e irmão de Lilly, Duncan, ela ainda tem que conviver com as implicâncias de vários de seus amigos, principalmente Logan, que costumava ser o namorado de Lilly. Para passar o tempo, Veronica ajuda o pai nas investigações.
A primeira temporada lida com Veronica sofrendo as consequências do assassinato de Lilly, enquanto ainda tenta desvendá-lo. Por mais que um assassino já tenha sido condenado, algumas coisas ainda não parecem estar no lugar certo. VM muitas vezes adquire o sistema de “crime da semana”, apesar de, ao contrário de dramas policiais, os casos raramente envolverem homicídios e serem algo relacionado à escola. Entretanto, costuma ter um tema maior que se estende por toda a temporada, seja o assassinato de Lilly, um acidente de ônibus ou uma série de estupros por volta da universidade.
veronica mars
Além, é claro, de ter algum certo “drama adolescente”. Acompanhamos, ao pouco, a formação de amizade entre Veronica e outros alunos, e o desenvolvimento de seu relacionamento com Logan e Duncan. E, acima de tudo, temos uma relação entre Veronica e o pai, é comum que séries com o personagem principal adolescente simplesmente ignorem os pais, isso não é o que acontece aqui. Keith e Veronica têm uma ótima relação, que é desenvolvida ao longo das temporadas e tem um estilo único.
Veronica é uma personagem fascinante, ótima com investigações, ela é curiosa, manipulativa e vingativa. Ao longo das três temporadas, vemos seus melhores lados, mas também o seu mais sombrio.
A série não é perfeita e eu consigo entender porque ela foi cancelada na terceira temporada, a mudança para o contexto universitário não deu muito certo, principalmente se combinado com a escolha de enredo. Diversas vezes, a série aborda o tema estupro de forma horrível, não só na última temporada, quando tem um arco inteiro girando em torno disso, mas na primeira temporada, quando Veronica é drogada e estuprada em uma festa, meses antes do início da série.
Ainda assim, é uma ótima série, com episódios envolventes, mistérios, em sua maior parte, bem-desenvolvidos, e personagens tridimensionais. Meu único arrependimento é ter demorado tanto tempo para começar a assistir.
veronica mars
O filme de Veronica Mars foi financiado pelos fãs, mas não precisa ser um para assisti-lo.
Ele se passa nove anos após os eventos da última temporada, Veronica está prestes a se formar em Direito e a aceitar um emprego como advogada em Nova York, onde mora com o namorado, Piz, quem namorou brevemente na terceira temporada e reatara há algum tempo.
Quando seu ex-namorado, Logan, é acusado de ter assassinado a namorada, com quem estudou no colégio, ele pede a ajuda de Veronica e, assim, ela se vê de volta a Neptune, bem a tempo da comemoração de dez anos de formados.
Inicialmente, Veronica só iria ajudar Logan a encontrar um bom advogado, mas fica claro mesmo para quem não assistia a série que ela ia acabar se envolvendo e tentando descobrir quem é o verdadeiro assassino.
O filme conta com a aparição de vários dos antigos personagens da série, dos mais aos menos importantes, e é refrescante ver todos de volta a tela. A vida dos personagens não continua estática todos agora são adultos, com empregos que fazem sentido com a personalidade deles. Logan trabalha nas forças aéreas, Veronica é quase uma advogada, Wallace é professor na Neptune High, Weevil está casado e tem uma filha pequena.
veronica x logan
Para aqueles que não assistiram a série, talvez o filme não seja o melhor do mundo – ele foi feito com uma verba relativamente pequena, afinal – mas dá para entender tudo muito bem. A investigação é, como sempre, bastante interessante e até mesmo surpreendente em alguns pontos. Talvez alguma referência ou outra passe despercebida ou não dê para entender sua relevância, mas são fatos que podem ser deixados de lado.
Já os fãs da série vão amar o filme, tudo o que tinha de melhor foi preservado e o final foi bastante satisfatório, principalmente depois do triste series finale que tivemos.
Para quem não sabe, vai ter uma série de livros que continuará de onde o filme parou, e acredito que algumas menções no filme, que não serviram para nada nele, podem ter sido uma prévia do que acontecerá no livro, que lançará dia 25 desse mês.
Infelizmente, o filme não passará nos cinemas brasileiros, mas já dá para alugar ou comprá-lo digitalmente pelo Apple Store, Google Play e Amazon.